Autismo, Asperger (autismo leve) e Sheldon Cooper

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Qual seria o diagnóstico do Sheldon?

O autismo é um transtorno invasivo do desenvolvimento, o que quer dizer que ele surge desde que o bebê é bem pequeno e seus sintomas invadem todas as áreas do desenvolvimento. O Asperger, por sua vez, é uma forma mais branda do autismo. E Sheldon Cooper, de The Big Bang Theory, parece ter todos os critérios para um destes diagnósticos.

 É possível perceber sinais do autismo em bebês menores de um ano, mas, por diferentes razões, o diagnóstico costuma ser feito mais tarde, por volta dos 4 ou 5 anos somente, o que é ruim porque piora o prognóstico.

(Aliás, quando falamos de transtornos mentais e emocionais, esta é uma regra: quanto mais cedo detectamos e tratamos o problema, melhor é o prognóstico!)

 As crianças autistas demoram a se comunicar, tem interesses restritos e repetitivos e não parecem querer intimidade com outras pessoas. Um bebê autista típico não olha nos olhos da mãe enquanto mama e não sorri em resposta ao sorriso das pessoas que o olham. Merece atenção o bebê que por volta de um ano e 4 meses ainda não disse “mamãe” ou outra palavra simples e que, aos dois anos, ainda não forma frases curtas como “quero água”, por exemplo.

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Mas o problema não é um mero atraso na fala…e sim uma falta de comunicação global. Uma criança que tenha só atraso na fala, por exemplo, vai fazer muito esforço para se comunicar de outras maneiras e dividir coisas com os pais, gesticulando, sorrindo, tocando, apontando coisas que despertaram seu interesse…já o autista não tem essa vontade de dividir experiências legais com os outros (não fica feliz em mostrar para a mãe uma borboleta colorida, por exemplo) e pode “usar” as pessoas para alcançar o que quer.  Atenção porque “usar as pessoas” aqui não tem nenhuma conotação de não se importar com os outros ou ser “mau”! Quer dizer apenas que ele pode interagir com alguém utilizando essa pessoa como uma “ferramenta” para suprir uma necessidade, mas sem interação social verdadeira. Exemplificando, pode pegar a mão da mãe e levar até o interruptor porque quer acender a luz e não alcança o botão sozinho. A criança pode dizer palavras repetitivas, repetir o que outras pessoas dizem, ter interesses estranhos (exemplo: ficar horas observando um ventilador de teto) e utilizar os objetos de forma diferente das demais (exemplo, ficar “obcecado” pela roda de um carrinho, movendo-a por horas ao invés de brincar com o carrinho inteiro). Também estão ausentes jogos de faz de conta, como pegar pedrinhas para fingir que é comidinha, por exemplo. Essas crianças também não costumam ter muito prazer com abraços e carinhos físicos e podem até mesmo evitá-los ativamente, o que pode causar muita tristeza aos pais…

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Mães de autistas são mulheres normais e amorosas como quaisquer outras!

Já se acreditou que o autismo era uma reação psicológica da criança a uma mãe fria e incapaz de dar carinho.

Atenção, pois não há nem nenhuma evidência de que isso seja verdade!

Mães de crianças com autismo são tão carinhosas como qualquer outra mãe. Quando isso não ocorre, parece ser muito mais uma reação da mãe à aparente frieza emocional do filho do que qualquer inabilidade da mulher em ser acolhedora.

Mas e o Asperger?

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A síndrome de Asperger é uma forma mais leve do autismo. Nela, não ocorrem as dificuldades de linguagem vistas no autismo; pelo contrário, o vocabulário pode até ser muito amplo e rebuscado. Outra diferença é que a inteligência é normal ou até elevada (isso porque algumas crianças com autismo também apresentam retardo mental). Essas crianças podem até ser consideradas superdotadas – no entanto, em geral, a super-inteligência é relacionada apenas a um único tema (as chamadas “ilhas de habilidade”) que também costuma ser superfocado pela criança: por exemplo, aviões, lobos, equações matemáticas. Um “erro” comum dos pais é reforçar este interesse, dando muita atenção ao fato, contando para todos que o filho é “expert” no assunto e presenteando a criança só com itens associados ao tema. Digo “erro” porque o que esta criança precisa é exatamente o contrário, ou seja, abrir o leque de interesses, para que possa interagir melhor com o meio e com os outros.

Como é feito o diagnóstico?

Não há um exame laboratorial para detectar o problema. O diagnóstico é feito pelo psiquiatra, após avaliação cuidadosa da história e da própria criança.

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As crianças com autismo e Asperger tem muita dificuldade em  perceber as emoções dos outros, por isso, não conseguem entender sutilezas na comunicação, como irritação em um tom de voz diferente, ou ironias. Como também apresentam muita dificuldade em entender e expressar suas próprias emoções, podem fazer comentários inadequados e agir de forma “esquisita” aos olhos dos outros, o que acaba fazendo com que sejam rejeitadas pelos colegas. Como se pode imaginar, isso só piora o problema, porque aumenta ainda mais o isolamento social e ainda pode gerar ansiedade e depressão. Também por causa da dificuldade com as emoções, podem apresentar surtos de raiva com muita agitação quando contrariados; neste caso, o tratamento tem que englobar o treinamento da habilidade em lidar com a raiva.

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É comum também uma excessiva adesão à rotina, com extrema dificuldade em aceitar mudanças, principalmente se imprevistas. Modificações aparentemente pequenas na rotina, como tomar banho depois do jantar quando a rotina é o contrário, podem desestabilizar seriamente a pessoa, levando a crises de agressividade ou agitação incompreensíveis para quem vê de fora.

Querem ter uma ideia clara de uma pessoa com Asperger?

Sheldon Cooper, do seriado The Big Bang Theory, tem todas as características de um portador típico! Confiram nos vídeos abaixo:

Sheldon até quer, mas se mostra totalmente incapaz de expressar sentimentos pela namorada Amy em pleno jantar de dia dos namorados: http://www.youtube.com/watch?v=DdEm9AJps9o

Sheldon cria um fluxograma  para fazer amigos: ilustra bem a dificuldade em entender pistas sutis de interação social e em ser espontâneo: http://www.youtube.com/watch?v=-h4d7jOMLlw

Leia também: O desenvolvimento infantil normal e Como o bebê cria laços

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Juliana Garbayo

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Graduada em Medicina na Universidade Federal Fluminense (UFF). Cursou Residência Médica em Psiquiatria na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ-IPUB)


Postado em por Juliana Garbayo em Dicas

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