Brincadeira é coisa séria!

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“Brincar é a maior expressão do desenvolvimento humano na infância e,por si só,é a expressão livre do que está dentro da alma de uma criança.” (Fredrich Froebel)

Esta frase é muito interessante e reflete uma grande verdade.

Para nós, adultos, em algumas situações, especialmente nas que envolvem alto conteúdo emocional, é difícil colocar em palavras todos os nossos sentimentos e pensamentos, não é mesmo? Imagina então para as crianças, que ainda não tem um vocabulário tão amplo e, principalmente, ainda estão “testando” o que se pode e o que não se pode dizer e sentir. Por isso, pode ser muito difícil para a criança expressar seus medos, angustias, preocupações e sofrimentos apenas com palavras. Daí a importância de oferecer a elas outras formas de expressão.

O desenho é um recurso bastante usado para este fim. O ideal é que sejam oferecidos diferentes materiais, como lápis de cor, giz, pillots, canetinhas coloridas, de várias cores. Crianças que estão bem consigo mesmas, tendem a explorar vários materiais e a produzir desenhos coloridos e com temas alegres. Uma criança depressiva, por exemplo, pode usar apenas o material que estiver mais próximo dela, ao alcance fácil da sua mão, usar poucas cores e fazer desenhos pobres. Muitas vezes, ela vai expressar no tema dos desenhos os medos, as tristeza, a solidão e os pesadelos que a afligem. Infelizmente, apenas desenhar essas questões não resolve muito. Sua principal função é servir de alerta para que os pais procurem perceber o que pode haver de errado com a criança e, quem sabe, consultar um profissional que possa trabalhar essas questões de uma forma maus profunda, mas delicada.

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Infelizmente, não é incomum a criança desenhar figuras sexualizadas, muitas vezes contendo órgãos sexuais, unhas compridas e dentes ameaçadores. Um desenho destes pode deixar um pai/mãe apavorado, e isso é compreensível e natural. Caso ocorra, a única coisa que você não deve fazer é “deixar para lá”. Você pode sentir vergonha, medo do que pode descobrir, medo de ser julgado como um “mau” pai e até uma tentação em negar o que viu, mas não deixe de procurar ajuda especializada para o seu filho. Esta pode ser a forma dele dizer: “mamãe, papai, me ajudem!”

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Não são apenas os desenhos que usamos para acessar o que vai na cabeça da criança. Massinha, histórias – lidas e inventadas – brincadeiras com bonecos, bola, jogos e até armas de brinquedo podem ser usadas. “Armas”?: Sim. Há escolas e até famílias que proíbem o uso de armas de brinquedo, por acreditar que estimulam a violência. Entretanto, a escolha de uma criança por um brinquedo que representa uma arma (uma espada, uma arma de fogo colorida) pode indicar que ela está preocupada com questões envolvendo agressividade – o que pode variar desde dificuldades em lidar com sua própria raiva até medo da agressividade dos colegas e preocupações com a violência de assaltos, sequestros etc. Por isso, encontrar este tipo de brinquedo, em um ambiente seguro e acolhedor, supervisionado pelo psiquiatra, pode ser uma importante ferramenta para a criança que apresenta dificuldades de lidar com a agressividade – que, vamos afinal, existe em todos nós e não pode ser eliminada do mundo.

Por isso, esteja sempre atento ás brincadeiras do seu filho: o que ele desenha, as redações que ele escreve, as músicas de que gosta, os brinquedos que ele escolhe são formas de ele “falar” um pouquinho do que vai dentro da cabeça e do coração dele a cada momento!

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Juliana Garbayo

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Graduada em Medicina na Universidade Federal Fluminense (UFF). Cursou Residência Médica em Psiquiatria na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ-IPUB)


Postado em por Juliana Garbayo em Dicas

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