Casais em crise

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Falhas na comunicação podem gerar brigas desnecessárias

Por trás de brigas conjugais longas e desgastantes que acabam com a paz do casal, está um problema comum e relativamente fácil de resolver:  a famosa falha de comunicação.

Erros de interpretação

Muitos de nós têm uma forte tendência a cometer erros de interpretação dos acontecimentos. Quando não prestamos atenção a eles, acabamos chegando a conclusões que não estão ancoradas na realidade. Fazemos suposições e, então, nos sentimos tristes, magoados ou com raiva. Uma vez cheios de sentimentos ruins, acabamos começando brigas e discussões ao invés de esclarecer com o parceiro o que realmente está acontecendo. Em um piscar de olhos nosso namoro, casamento ou relação está por um fio.

Que  erros de avaliação são esses? Como corrigi-los?  

Inferência arbitrária

Acontece quando chegamos a uma conclusão sem ter dados verdadeiros que a embasem. Exemplo: marido se atrasa na volta do trabalho. A esposa conclui: “ele está me traindo”. Fica remoendo estes pensamentos e, quando o marido finalmente chega, o ataca com acusações de infidelidade.

Agora, vamos analisar a situação friamente. Não há nenhuma evidência lógica ligando um atraso a uma traição. Existem diversas variáveis que ela não levou em consideração: o trabalho pode ter atrasado, o trânsito pode estar ruim…obviamente, o cuidado por parte da pessoa que se atrasou em ligar para a outra e explicar o que aconteceu e que se atrasará é uma atitude que mostra respeito pelo parceiro. Porém, no exemplo citado, caso isso não ocorra (por exemplo, a bateria do celular pode ter acabado!), o melhor caminho é se acalmar, parar de imaginar coisas ruins e escutar as explicações do outro sem bombardeá-lo com acusações assim que ele cruzar a porta.

pensamento psiquiatra rj Casais em crise

Podemos aprender a analisar os pensamentos para que eles funcionem a nosso favor

Leitura de pensamento

Acontece quando tiramos uma conclusão do que a outra pessoa está sentindo, como se pudéssemos saber sem perguntar primeiro.

Por exemplo: a relação caiu em uma rotina sexual e a mulher está sem desejo há alguns dias. O marido pensa: “ela não me ama mais”. Mais uma vez, a saída é perguntar antes de tirar conclusões precipitadas e, principalmente, de ficar com raiva e de acusar.

Generalização

 Acontece quando pegamos um acontecimento particular e o usamos para tirar conclusões generalizadas e abrangentes. Exemplo: o marido reclama que a comida está muito salgada e esposa pensa: “ele não gosta de nada do que eu faço.”

Personalização

Acontece quando se supõe, automaticamente, que tudo o que acontece está ligado à sua pessoa, sem deixar de considerar todos os outros aspectos. Exemplo: marido nota que a mulher está distraída e não prestou atenção no que ele acabou de falar e pensa: “ela não me acha mais interessante, está entediada com a minha conversa”.  “Ela faz isso para me irritar”

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Maximização do negativo e minimização do positivo

Eventos positivos têm sua importância diminuída enquanto eventos negativos tomam grandes proporções. Exemplo: “meu marido lembrou a data do aniversário de casamento, mas também, não faz mais do que a sua obrigação”, “ela gastou muito no cartão de crédito, isso vai causar um rombo absurdo no orçamento”

Pensamento dicotômico ou “tudo ou nada”

As experiências são vistas como 8 ou 80, e todas as nuances são ignoradas. Exemplo: “tudo foi uma perda de tempo completa”, “se meus filhos não forem perfeitos, é porque sou um fracasso como chefe de família”.

Rotulação

Erros que a pessoa cometeu no passado são usados para defini-lo e sua identidade fica limitada a isso. Exemplo: “sou uma péssima dona de casa”, “sou um gastador compulsivo”, “sou incompetente”, “ela é descontrolada”.

Visão em túnel       

A pessoa só vê aquilo que ela quer perceber ou que se ajusta ao seu estado de humor atual. Exemplo: um marido que acha que a esposa foi “mimada demais” critica qualquer ato dela dizendo que a origem é egoísta porque ela só pensa em si mesma. Esposa que quer provar a tese de que o marido é alcoólatra o acusa de querer sair só como desculpa para beber.

Vitimização

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A pessoa se coloca como injustiçada ou incompreendida e não assume a sua parcela de responsabilidade na situação. Exemplo: “faço tudo pelo meu marido e ele não agradece”, “ela não entende meus sentimentos”.

Adivinhação

Ocorre quando se faz previsões sobre o futuro ou se antecipam problemas que nem se sabe se vão existir. Exemplo: “isso não vai dar certo”, “essa viagem vai ser horrível”.

Explicações tendenciosas

Casais em crise tendem a ver alguma intenção negativa por trás de tudo que o outro faz. Por exemplo, se o marido tenta ser legal e fazer algo romântico, a mulher acha que ele está representando um romantismo que não existe para conseguir que ela faça as pazes. Exemplo 2: esposa tem uma crise de choro e o marido acha que ela está forçando o choro para que ele fique amolecido e interrompa a discussão.

Pode ser bastante difícil estar o tempo todo atento aos nossos pensamentos tóxicos e a perguntar antes de tirar conclusões, especialmente no estresse do dia a dia. Mas, com um esforço consciente, é possível alcançar esse estágio. A paz que vem desta nova forma de se relacionar  compensa o esforço e faz o amor aumentar.

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Juliana Garbayo

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Graduada em Medicina na Universidade Federal Fluminense (UFF). Cursou Residência Médica em Psiquiatria na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ-IPUB)


Postado em por Juliana Garbayo em Dicas

6 Respostas para Casais em crise

  1. Arabela batista pismel

    Adorei o seu artigo sobre relacionamentos – muito interessante qdo o problema esta muitas vezes na falha de comunicação. Aprender a escutar e não ter uma ideia pre concebidado outro, nossa , com os casais se relacionariam melhor.
    Parabéns pelo artigo.
    Arabela

  2. Juliana Garbayo

    Olá, Arabela! Tudo bem? Que bom que gostou do artigo. É verdade, conseguir ouvir, realmente ouvir o outro antes de tirar conclusões e agir ajuda não só no relacionamento amoroso, mas na vida! Felizmente, com o treino todo mundo consegue chegar lá. Um bj!

  3. Debora Christina

    Ouvir o outro é fundamental antes de qualquer conclusão. Também gostei muito do artigo. Mas o interessante é entendermos que nada muda em um passe de mágica, por isso é necessário praticar o diálogo entre o casal ou nos relacionamentos em geral.

  4. marcelo cunha

    Muito interessante sua análise. Eu acrescentaria uma certa pré disposição ao embate. Muitas vezes nos sentimos predispostos a entrar numa discussão/briga, que encontramos qualquer desculpa para tal.

    Além disso, saber e/ou querer ouvir o outro(a) também está relacionado a brigas, fúteis ou não. Se sempre estivéssemos aptos a ouvir o outro, muitas brigas seriam evitadas. Mas, aí podemos acabar caindo na tal predisposição, inconsciente, subconsciente ou até proposital.

    Parabéns pelo texto,

    Marcelo

  5. Juliana Garbayo

    Você está certo, Marcelo! É isso mesmo…obrigada pela contribuição!

  6. Juliana Garbayo

    É verdade, Débora…é um longo caminho a percorrer, realmente não conseguimos mudar tudo do dia para a noite…mas a vida e esse aprendizado constante mesmo, né? Bj!

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