Krokodil: a droga do “Apocalipse zumbi”

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Dependentes posam para campanhas preventivas

A droga que apodrece os tecidos do corpo e tem sido considerada a mais devastadora já vista até hoje atende pelo nome de krokodil. Dez vezes mais potente que a morfina e dez vezes mais barata que a heroína, é altamente viciante e corrói os tecidos do corpo humano.

O que é?

Trata-se da desomorfina (também conhecida como di-hidrodesoximorfina) um opióide sintético, da família da heroína e da morfina. Foi sintetizado pela primeira vez em 1932, nos Estados Unidos. Sua ação sedativa e analgésica chega a ser oito a dez vezes mais potente do que a da morfina.

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A droga carrega todas as suas impurezas para dentro da corrente sanguínea

Por que ficou tão popular? Aparentemente, por 4 motivos que vamos explicar a seguir:

1-    É muito barata

2-    É altamente viciante

3-    É de fácil produção, na cozinha de qualquer casa

4-    Seus efeitos são devastadores

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Primeiro problema: o preço

Assim como o crack pode ser considerado o “primo pobre” da cocaína, o krokodil é uma heroína muito mais barata - chega a custar dez vezes menos – e impura – portanto,  muito mais nociva.

Porque alguém começa a usar uma droga tão sabidamente devastadora?

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As lesões são tão graves que expõe até ossos

Pode ser difícil entender porque alguém começaria a usar uma droga que causa tantos efeitos terríveis para o corpo, como você verá nas fotos que ilustram este texto. É mais fácil entender como isso acontece quando pensamos que a heroína é uma droga também muito viciante e cuja síndrome de abstinência cursa com dor. Durante a abstinência da heroína, até o simples contato das roupas com o corpo ou o toque da água durante um banho de chuveiro, por exemplo, causam dor.

Mas a heroína não é barata. Se a pessoa já está dependente e, na abstinência, tem a chance de usar uma droga parecida com ela, mas muito mais barata, não fica tão difícil compreender como um jovem acaba entrando nesta “furada”. Acontece que, assim como o crack em relação à cocaína, o krokodil também tem efeito muito menos duradouro do que a heroína. Com a heroína, a pessoa demora horas (oito, em média) entre uma picada e outra…no uso do krokodil, os efeitos surgem logo, mas também passam muito rápido (em pouco mais de uma hora!) e novamente a pessoa vive o desespero da abstinência. Resultado? Ela se aplica uma nova dose. Ao fim de pouquíssimo tempo, a vida se resume a aplicar a droga e, no curto intervalo entre as doses se recuperar de seus efeitos e cozinhar mais droga (ou ir atrás de quem a produza). Aqui está, então, o segundo problema: é altamente viciante.

Como é produzido?

A facilidade com a qual é produzida é o terceiro problema. 

Ele é fabricado a partir da codeína, uma substância usada em alguns xaropes para tosse e em outros medicamentos e, em alguns países, vendida sem receita médica. O acesso fácil  pode ter contribuído para a epidemia que se instalou em certos países, como na Rússia, desde 2005.

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O Krokodil pode ser facilmente fabricado em uma cozinha caseira

Em posse da codeína, é possível produzir a desomorfina e, portanto, o krokodil, em uma cozinha comum, usando produtos como gasolina, solventes, diluentes de tintas,, ácido hidroclorídrico, iodo e fósforo vermelho, (este mesmo das caixinhas de fósforo).

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Todas essas substâncias injetadas na pele causam grave necrose dos tecidos

A Epidemia

Estima-se que haja cerca de um milhão de pessoas viciadas em krokodil só na Rússia. No México e nas cidades dos EUA próximas à fronteira mexicana, o consumo também tem se alastrado como um vírus. Esta droga causa graves lesões nos tecidos do corpo humano! Sem ajuda médica adequada, os usuários costumam morrer em cerca de dois anos após se viciarem.

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O quarto problema: seus efeitos são devastadores!

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A pele se torna escamosa e enrugada, com áreas mortas

Claro que a adição de todas estas substâncias faz um mal absurdo para a saúde da pessoa, mas, uma vez viciada, dificilmente a preocupação com este fato consegue superar a fissura pela droga. O pior é que todo este “veneno” é injetado diretamente na corrente sanguínea pelos usuários…se espalhando, portanto, por todo o corpo. O primeiro órgão a sofrer é a própria pele, que, no local da aplicação, se torna escamosa, enrugada e adquire um tom esverdeado – deixando a área parecida com a pele de um crocodilo, de onde vem seu nome. A substância causa morte celular (necrose) na pele e nos músculos, gerando gravíssimas lesões como as que podem ser vistas nas fotos. Por causa da aparência com a qual os usuários ficam, também tem sido chamada de ‘droga zumbi” ,“dos mortos vivos’ ou ‘canibal’.

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O tratamento deve ser instituído o mais precocemente possível! Livrar-se deste vício é difícil, mas possível com acompanhamento psiquiátrico e psicológico, apoio da família e muita força de vontade!

Clique neste link para ver a comparação de fotos “antes” e “depois” de dependentes do krokodil: Efeitos do krokodil

 

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Juliana Garbayo

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Graduada em Medicina na Universidade Federal Fluminense (UFF). Cursou Residência Médica em Psiquiatria na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ-IPUB)


Postado em por Juliana Garbayo em Dependência Química, Dicas

3 Respostas para Krokodil: a droga do “Apocalipse zumbi”

  1. Danilo Barroso Bomfim

    não entendo como uma pessoa possa usar esse tipo de droga, é bem burra mesmo!

  2. maria luiza

    Parabéns pela iniciativa de informar as pessoas o que as drogas levam,principalmente o cigarro, que é uma droga legal.Um grande abraço

  3. renata

    São doentes, Danilo…não adianta mostrar estas coisas pq. eles não acreditam q. possa acontecer c/ eles!

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