Parafilias: os desvios do desejo sexual

shutterstock 124792024 Parafilias: os desvios do desejo sexual

Fantasiar é saudável, mas só se excitar de uma determinada forma, não.

Parafilias são alterações qualitativas do desejo sexual. Elas se diferenciam das fantasias sexuais comuns por serem recorrentes, invadirem a cabeça da pessoa a maior parte do dia, todos os dias e serem sentidas como irresistíveis. Além disso, acabam dominando a vida da pessoa, com prejuízos em seus relacionamentos afetivos, vida social e profissional.

Para a psiquiatria, as chamadas “taras sexuais” são parafilias:

 Sadismo: prazer em infringir dor ou humilhação ao parceiro sexual. Na maioria das vezes, o prazer é na sensação de dominação sobre o outro, que pode ser conseguida apenas com atos “simulados”, como simulações de estupro ou espancamento, por exemplo. Na maioria das vezes, os sádicos não chegam a causar nenhum dano grave no parceiro sexual, que pode ou não ser masoquista. Quando um sádico e um masoquista se encontram está formado o par perfeito, pelo menos no aspecto sexual. Entretanto, muitos casais com essa prática invertem os papéis de vez em quando, razão pela qual se costuma dizer que todo sádico tem um pouquinho de masoquista e vice-versa.

Masoquismo: é o prazer em sentir dor ou em ser submetido a atos humilhantes de conotação sexual ou no momento do sexo. Em geral, as “brincadeiras” sexuais envolvem xingamentos, tapas ou outras agressões controladas, de forma que não causam lesão real. É comum que os casais que adotam essas práticas combinem entre si uma “palavra de segurança”, ou seja, uma palavra qualquer que, quando dita pelo que está no papel masoquista, significa que ele realmente quer interromper o ato.

 Exibicionismo: prazer atrelado a exibir órgãos sexuais ou a ter relações sexuais na frente de estranhos. É aquele personagem antológico que anda com um sobretudo na rua, sem roupa nenhuma por baixo e , quando avista uma menina, abre o sobretudo, mostra o pênis e ela sai correndo… O prazer em geral é obtido por masturbação, em casa, quando ele recorda o episódio.

 Voyeurismo: prazer em observar as pessoas despirem-se ou envolvidas em atividade sexual. Muitas vezes, isso é feito “espionando” com binóculos, por exemplo, o apartamento de vizinhos

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O exibicionismo e o voyerismo estão bastante ligados

Fetichismo: excitação causada ao ver outra pessoa usando ou em incluir no ato sexual  objetos inanimados, como peças de roupa ou outros itens (por exemplo, sapatos), em geral do sexo oposto.

Fetichismo Transvéstico: neste caso, a excitação vem quando a pessoa usa estes itens em si mesmo: por exemplo, homens que se excitam vestindo lingerie e então, se masturbam. Muitos filmam o ato e assistem depois, prolongando o prazer.

Frotteurismo: a excitação envolve tocar ou “esfregar” os órgãos genitais em outras pessoas (um exemplo comum é o do homem  que se aproveita do ônibus lotado para “se esfregar” em uma mulher)

Pedofilia: desejo sexual por indivíduos pré-púberes, isto é, por crianças que ainda não tem ou estão apenas começando a exibir caracteres sexuais secundários, como mamas e pelos pubianos. Em geral, o pedófilo perde o interesse quando estas características sexuais de adulto começam a surgir na criança da qual ele abusava. 

Outros: Zoofilia (prazer em ter relação sexual com animais), necrofilia (prazer em ter relações sexuais com cadáveres ou partes dele), urofilia (excitação envolvendo urina, seja urinando no parceiro ou recebendo a urina deste, ingerindo-a ou não), coprofilia (idem ao anterior,mas com fezes).

Algumas ou várias destas fantasias podem ocorrer em pessoas que não sofrem de nenhum transtorno do desejo sexual. Se a fantasia é usada como uma forma de variar o ato sexual ou de “apimentá-lo”, mas a pessoa também consegue ter prazer de outras formas, então, a princípio, não há problema.

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 O problema existe em duas situações:

1) quando a fantasia sexual envolve atos criminosos ou então desrespeita os direitos de terceiros, como é o caso da pedofilia (que é crime!), da zoofilia (que pode ser considerada maus tratos ao animal), exibicionismo (que pode levar ao atentado violento ao pudor), necrofilia (vilipêndio de cadáver), sadismo não consentido, froutterismo…

2) quando as fantasias (que, para serem consideradas parafilias, devem ser recorrentes) atrapalham a vida da pessoa ou geram muito sofrimento, dominando o dia a dia e os pensamentos da pessoa de tal forma que ela não consegue trabalhar ou se concentrar em mais nada.

Os transtornos do desejo sexual e o sexo compulsivo que causem sofrimento devem ser tratados pelo psiquiatra.

Se este é o seu caso, marque uma consulta clicando aqui

 

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Juliana Garbayo

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Graduada em Medicina na Universidade Federal Fluminense (UFF). Cursou Residência Médica em Psiquiatria na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ-IPUB)


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