Transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH)

shutterstock 164187200 Transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH)

O TDAH começa na infância

O TDAH começa na infância, e é caracterizado por sintomas relacionados a hiperatividade, impulsividade e desatenção que prejudicam várias áreas da vida, perdurando até a idade adulta.

O lado bom

Portadores de TDAH costumam ser pessoas muito interessantes, dado seu interesse amplo e sua grande expressividade corporal e verbal. Tendem a ser muito inteligentes, interessados em diferentes assuntos, criativos e inovadores.

No entanto… nem tudo são flores. Sua forma de funcionar pode lhes trazer sofrimento em diversas esferas da vida, prejudicar seus relacionamentos e desempenho no trabalho e colocá-los sob maior risco de acidente e transtornos mentais.

O TDAH não é um transtorno “novo”, como alguns gostam de dizer. Ele é observado há muito tempo, mas nem sempre teve o nome atual. Antigamente, o TDAH era chamado por outros nomes, como “disfunção cerebral mínima”, por exemplo.

Algumas pessoas alegam que hoje em dia “toda criança tem diagnóstico de TDAH”. Isso não é verdade! O que acontece é que, conforme um transtorno vai sendo mais estudado e ficando mais conhecido do grande público, mais pais e professores ficam atentos aos sintomas e procuram avaliação para a criança suspeita de ter TDAH. Antes, muitas crianças sofriam a vida toda com os sintomas que eram considerados, por desconhecimento, “o jeito de ser” delas, e se pensava que nada pudesse ser feito a respeito. Além disso, os instrumentos de avaliação médica e os critérios diagnósticos foram sendo mais estudados e testados em meios científicos, e hoje pediatras e outros profissionais de saúde estão mais familiarizados com o diagnóstico. Ou seja, a frequência do transtorno não mudou, o que mudou foi que hoje conseguimos diagnosticar estas crianças mais precoce e eficientemente.

O TDAH acontece em 3 a 5% das crianças em idade escolar. É mais comum entre os meninos: para cada menina com TDAH, há 3 meninos em média com o diagnóstico. As meninas com TDAH tendem a não ser tão hiperativas quanto os meninos, e, por isso, podem passar desapercebidas, quietinhas na sala de aula com “a cabeça no mundo da lua” e “pensando na morte da bezerra”, mas sem a agitação que incomoda pais e professores.

Escolares Transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH)

O TDAH exige mais organização e disciplina

Formiga na cadeira

Já os meninos, tendem a ser mais hiperativos, ou seja, “não param quietos”, o que causa mais estresse nos cuidadores e, portanto, mais procura por ajuda especializada.

Os sintomas de TDAH podem ser divididos em 3 grandes grupos: desatenção, hiperatividade e impulsividade. Por causa, disso, duas pessoas com TDAH podem ter quadros bem diferentes!

Pessoas com um predomínio de sintomas relacionados à instabilidade da atenção tendem a:

- se distrair com muita facilidade, por exemplo, quando estão estudando, podem com frequência interromper o estudo em resposta a qualquer estímulo ambiental (telefone tocando, vontade de beber água, verificações do facebook e outras redes sociais e assim por diante). Não apenas estímulos externos distraem a pessoa do que ela está fazendo: pensamentos também. Assim, ela pode a toda hora perceber que não está mais prestando atenção ao que está lendo porque começou a se perder nos seus pensamentos…

- ter dificuldade em realmente escutar outras pessoas com atenção. Acabam captando apenas partes do que a outra pessoa está dizendo, uma vez que toda hora se distraem com seus próprios pensamentos ou com estímulos ao seu redor

- ser desorganizadas, perder objetos, esquecer ou se atrasar para compromissos, não lembrar onde colocou documentos importantes, chaves de casa ou do carro, óculos, carteira etc

- ter dificuldade em ouvir outros sem interrompê-los. Podem “atropelar” a fala das outras pessoas, sem esperar que o outro conclua o que estava dizendo

- cometer erros “bobos” (por desatenção) em provas ou trabalhos. Erros de digitação são comuns, pois tendem a digitar rápido e não têm paciência para revisar o que foi digitado

- apresentar períodos de atenção excessiva restrita a um aspecto particular. Este sintoma confunde muitas pessoas, pois, se o transtorno se caracteriza por “desatenção”, como explicar que um portador de TDAH consiga ficar horas super concentrado diante de uma tarefa, por exemplo, jogando no computador? É que na verdade o problema é mais uma dificuldade de regular a atenção do que uma falta de atenção em si. Estas pessoas tem sua atenção desviada do foco com muita facilidade, no entanto, quando estão muito interessadas em um determinado assunto, são capazes de apresentar um foco exagerado no tema, se mantendo hiperconcentradas por horas naquilo e completamente alheias a todo o resto (podem até esquecer de comer e de ir ao banheiro!)

- a interromper as coisas pela metade e não concluir nada, ou seja, se engajam em várias atividades (trabalhos, modalidades esportivas, cursos) mas não levam até o fim, “largando” a atividade quando o interesse diminui.

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Crianças com TDAH costumam ser criativas

Aqueles que tem predomínio de sintomas de hiperatividade física e/ou mental tendem a:

- ficar constantemente mexendo as mãos, balançando os pés, rabiscando em um papel, manipulando um objeto com as mãos: têm as mãos e os pés “inquietos”

- não conseguir ficar parados por muito tempo. É a típica criança que parece que “tem formiga na cadeira”

- sempre ter a sensação de inquietação mental (estão sempre com a sensação de que precisam fazer algo, com “a cabeça a mil”)

- fazer várias coisas ao mesmo tempo (cozinhar, ver TV e falar ao telefone, por exemplo)

- se interessar por muitas coisas ao mesmo tempo (ex: leem vários livros ao mesmo tempo e terminam não acabando nenhum)

- se sentir facilmente entediadas e a se irritar com a monotonia. Isso pode fazer com que a pessoa se desinteresse por algo assim que passa a novidade inicial. Podem tender a se envolver em atividades com muita “adrenalina”, para fugir da monotonia. Outro aspecto mais grave deste sintoma é o risco aumentado de uso de drogas, exatamente com o intuito de “viver novas emoções”.

- falar muito, monopolizando conversas. Em um grupo, podem ser muito divertidas e “animar” os outros falando sem parar, mas, no dia a dia, este aspecto tende a magoar as pessoas com quem convive, uma vez que acaba não dando muito espaço para que os outros também se coloquem.

Há ainda um grupo de pessoas com TDAH cujo aspecto mais marcante é a impulsividade. Essas pessoas tendem a:

- ser extremamente impacientes, com muita dificuldade em esperar sua vez em filas, por exemplo

- apresentar uma baixa tolerância à frustração. Em razão dessa dificuldade em aguentar sentimentos desagradáveis, alguns podem adquirir a tendência a “fugir” dos problemas se “anestesiando” com uso de álcool, drogas ou remédios para ansiedade

- intensa irritabilidade quando contrariados ou impedidos de fazer algo que desejam

- responder antes que o outro finalize a pergunta e a completar as frases de pessoas que se expressem de forma um pouco mais devagar do que elas

- podem “falar antes de pensar”, o que muitas vezes os coloca em situações constrangedoras. Em brigas, podem deixar escapar ofensas e xingamentos dos quais se arrependem depois

- dificuldade em planejar e tendência a agir levado “pela emoção do momento”. Isso pode levar a decisões impensadas e precipitadas em áreas importantes da vida, como: rompimento de relacionamentos, abandono de emprego, decisões financeiras, compras, sem avaliar adequadamente o impacto de suas escolhas

- apresentar explosões de raiva

- ter muita dificuldade em cumprir regras, exibindo uma “rebeldia” que muitas vezes pode parecer despropositada

- apresentar instabilidade sexual, podendo alternar períodos de intenso desejo sexual com outros de relativo desinteresse por sexo

- a se sentir facilmente magoados. Alguns podem ter a auto estima bastante frágil e ser muito sensíveis a críticas

- sofrer com a instabilidade afetiva, podendo apresentar oscilações do humor e alta reatividade do humor, como se fossem “contagiados” pelo ambiente e pelo humor de outras pessoas.

Por que tratar?

Crianças e adultos com TDAH não tratado estão sob maior risco de acidentes, quedas, mau desempenho escolar, abandono da escola, não conseguir parar em empregos, ter pior desempenho no trabalho, alcançando níveis de renda menores do que o que a sua capacidade intelectual permitiria, ter mais conflitos conjugais e familiares, levando a um risco aumentado de separações e divórcios, desenvolver uma baixa autoestima, abusar e ficar dependentes de álcool e drogas ilícitas, dirigir imprudentemente, entre outros. Estes riscos são diminuídos com o tratamento adequado.

Como é o tratamento?

O tratamento do TDAH envolve, antes de tudo, a psicoeducação com o paciente, a família e, sempre que possível, a escola. Isso é feito através da explicação detalhada para os pais e a criança (em uma linguagem adaptada à idade da mesma) do que é o TDAH, quais são seus sintomas e que sintomas em particular foram detectados naquela criança. A partir daí, será explicado aos responsáveis pela criança o que tem se mostrado útil na forma de lidar com estas crianças e o que tem se revelado infrutífero. Como os pais de crianças com TDAH em geral estão sob um alto nível de estresse, eles também podem estar precisando ser ouvidos, apoiados e orientados. Há uma série de medidas educacionais que os pais podem lanças mão para diminuir os conflitos e melhorar o rendimento e o comportamento da criança com TDAH. O mesmo se aplica aos adolescentes, que, particularmente, podem ser extremamente desafiadores e difíceis. A escola e especialmente os professores que lidam com o paciente também podem se beneficiar muito da psicoeducação sobre a doença e técnicas de lidar com a criança para minimizar os efeitos do transtorno. Estas medidas não tem nenhum efeito colateral ou custo financeiro e são extremamente úteis.

Há ainda uma série de medicações que podem ajudar em muito a criança com TDAH a melhorar seu funcionamento em casa, na escola e no seu meio social, aliviando os sintomas de desatenção, inquietação e impulsividade e prevenindo os riscos de desenvolvimento das complicações associadas ao TDAH.

Além disso, há medicações que consistentemente ajudam os portadores deste transtorno. Em geral, são utilizados psicoestimulantes, entre eles a Ritalina (nome comercial do metilfenidato), que tem atraído mais atenção da mídia. Entretanto, há outras medicações que também são usadas no tratamento do TDAH. O psiquiatra é o médico mais habilitado a diagnosticar e elaborar o plano de tratamento mais adequado para cada caso.

 

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Juliana Garbayo

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Graduada em Medicina na Universidade Federal Fluminense (UFF). Cursou Residência Médica em Psiquiatria na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ-IPUB)


Postado em por Juliana Garbayo em Dicas, Tema

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