Afinal o que é bullying? Seu filho pode ser a próxima vítima!

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O que é bullying?

Outro dia, ao dizer para minha filha de dez anos que ela deveria sair i-me-di-a-
ta-men-te do computador, ela me olhou e se saiu com essa: “Mãe, isso é bullying!”.

Bullying é o termo em inglês pelo qual ficou conhecido o assédio escolar. Tem sido tão discutido atualmente, com tanta cobertura pela mídia que se tornou um termo popular entre as crianças. Muitas vezes, elas acabam chamando qualquer ato que as desagrade de bullying, como fez minha filha no exemplo acima. Obviamente, as contrariedades às quais as crianças são submetidas não são bullying, assim como o patrão cobrar que o empregado cumpra toda a jornada de trabalho não é assédio moral.

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Então, o que é bullying?

Bullying é um comportamento negativo, prejudicial a quem sofre, repetitivo e impetrado por alguém que tem ou pelo menos aparenta ter uma posição mais forte ou de poder sobre a vítima.

O bullying pode ser direto ou indireto.

Bullying direto é aquele no qual ocorrem agressões físicas e verbais e é mais comum entre os meninos.

Meninas e crianças pequenas fazem mais bullying indireto (social). A vítima é forçada ao isolamento social, através de fofocas, intrigas e ridicularizações do modo de a pessoa se vestir, se comportar, ou até de alguma característica pessoal dela (etnia, peso corporal, uso de óculos, gagueira, sotaque, entre outras.)

Abaixo, uma lista de comportamentos que, quando repetitivos, caracterizam bullying:

Xingamentos;

Dizer que a vítima “não presta”, é um “inútil” ou “não serve para nada”;

Agressões físicas como chutes, beliscões, tapas, socos, empurrões, “corredor polonês”;

Depredação do material escolar, roupas, bicicleta;

Espalhar boatos depreciativos sobre a pessoa;

Obrigar a vítima a fazer o que ela não quer (por exemplo: obrigando-a a dar dinheiro ou o lanche para outros);

Incriminar a pessoa por algo que ela não fez, fazendo com que seja punida por uma autoridade escolar;

Fazer comentários depreciativos sobre a aparência da pessoa, o local onde ela mora, os familiares dela, religião, orientação sexual, nível social ou alguma característica pessoal;

Excluir a pessoa do grupo social;

Usar a internet para fazer cyberbullying (postar coisas como se fosse a pessoa, criar páginas falsas ou exibir fotos constrangedoras da pessoa na rede);

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Quem pratica o bullying? 

O curioso é que quem pratica o bullying não são monstros malvados, mas outras crianças, em geral da mesma sala ou escola da vítima. Muitas destas crianças (aqui chamadas de bullies) não têm completa consciência de que o que estão fazendo é errado e do grau de sofrimento que estão causando na outra. Por isso, é importantíssimo que os pais conversem com seus filhos sobre o assunto. Um estudo mostrou que mais de 50% dos autores de bullying diz nunca ter sido orientado quanto à inadequação do seu comportamento.
Supostamente, os bullies tendem a ser hostis, intolerantes, preconceituosos e podem estar habituados a usar a força para resolver os problemas, ou seja, podem ter um baixo grau de habilidades sociais que lhes permitam lidar com as diferenças de uma forma mais positiva. Inveja e ressentimento também podem estar presentes.

Como saber se meu filho está sendo vítima de bullying?

Para início de conversa, os pais precisam ter ao menos um momento do dia reservado para conversar com seus filhos. Pergunte como foi o dia dele e escute atentamente enquanto ele falar. Olhe e observe seu filho. Assim, você estará muito mais apto a perceber qualquer sinal de que algo mudou ou não vai bem.

Os pais devem estar atentos a possíveis sinais de que o filho esteja sendo vítima de bullying ou passando por outros problemas na escola. Alguns destes sinais são: insônia, dores e marcas de ferimentos; isolamento social com poucos ou nenhum amigo, recusa em ir à escola, mudança brusca no comportamento, tristeza constante, alterações do sono ou do apetite, surgimento de vários medos, enurese noturna (urinar na cama depois de já ter adquirido pleno controle da urina),mau desempenho escolar, dores súbitas sempre na hora de ir para a escola, ferimentos auto-infringidos.

E se o meu filho é alvo de bullying?

Se notar sinais de que seu filho está tendo problemas na escola, chame-o para uma conversa franca. Quanto mais cedo você esclarecer a situação, melhor! Não deixe para lá para ver se “com o tempo resolve”. O tempo só vai piorar.

Nunca, em hipótese nenhuma, duvide do relato dele, dizendo que ele está “exagerando” ou “sendo fresco”.

Não minimize o sofrimento dele, dizendo que isso “vai passar” e que “bullying sempre existiu.” Crianças expostas a bullying têm comprovadamente mais risco de sintomas psicológicos relacionados ao trauma, que podem até levar à depressão e ao suicídio.

Apóie seu filho e coloque que juntos poderão resolver este problema, mas não superestime a capacidade dele de lidar sozinho com a questão, não diga a ele para “xingar ou bater de volta” e pense que assim tudo estará resolvido. Seu filho depende da sua proteção e é sua responsabilidade fornecê-la a ele! Vá à escola, converse com professores e educadores.

Se necessário, fale com os pais dos bullies, mas cuidado para não trair a confiança do seu filho, só faça isso após explicar a ele que vai fazer e obter seu consentimento!

No mais, é obrigação dos professores, inspetores, coordenadores e demais funcionários da escola estarem atentos à questão e tomarem providências contra o bullying. Você deixou seu filho na escola sob responsabilidade destes funcionários, seu filho não pode ser agredido lá dentro! Busque e exija o apoio dos profissionais da escola.

O que você nunca deve fazer é deixar a questão “para lá”. Alunos que buscam ajuda tem 75,9% de reduzirem ou cessarem um caso de bullying.*

E se o meu filho é quem pratica o bullying?

Não minimize o problema, achando engraçado ou pensando que seu filho é apenas “pavio curto” ou “valentão”. Bullying é uma forma de agressão e há estudos mostrando que crianças que fazem bullying tendem a se envolver em comportamentos agressivos mais graves na vida adulta. Se isso não basta para convencê-lo, lembre-se de que o bullying pode ser punido judicialmente, inclusive com internação do menor para aplicação de medidas sócio-educativas! Caso fique provado que os pais sabiam e não fizeram nada, os mesmos podem ser enquadrados como co-autores.

Se seu filho pratica bullying, deixe bem claro que este comportamento não será tolerada. Se ameaçar algum castigo (exemplo, proibir computador no final de semana) e seu filho descumprir suas ordens, de maneira nenhuma deixe de cumprir o que ameaçou fazer.

Há jogos interessantes que podem ser feitos para fazer a criança se colocar no lugar da outra. Estas dinâmicas podem ser sugeridas à escola. Uma muito interessante funciona assim: junte o grupo de crianças e faça cartões onde haverá ordens curtas  escritas. Cada pessoa terá um destes papéis colados na testa, de forma que a própria pessoa não saiba o que está escrito no seu papel. Ao grupo, oriente que as pessoas caminhem em um ambiente amplo e, ao se cruzarem, executem a ordem contida no papel. Todos os papéis devem conter ordens positivas: “diga bom dia”, “sorria para mim”, “me abrace”, “aperte minha mão”, “me dê um beijo na bochecha”, apenas duas pessoas (ou uma, se o grupo for menor) deverá portar um papel com uma ordem
negativa como “me empurre” ou “me ignore”. Após a experiência, peça para que as crianças que ficaram com os papéis “negativos” contem como se sentiram. Há muitas outras dinâmicas do tipo que podem ser aplicadas com sucesso.

O que mais pode ser feito para evitar o bullying?

As demais crianças, que normalmente ficam apenas como expectadoras do bullying, devem ser constantemente orientadas a não estimular este comportamento de jeito nenhum, removendo todo o apoio do grupo aos atos de assédio. Pode-se ainda estipular várias crianças mais articuladas, como representantes de classe, por exemplo, que ficarão como referência para a vítima de bullying, a quem ela deverá recorrer imediatamente caso seja importunada.

O bullying prejudica até quem “só” assiste! Mais de 80% das crianças expectadoras de bullying informam sentimentos negativos, como ansiedade, vergonha, pena ou culpa em não ajudar!

Relembre alguns casos trágicos

Nos EUA, em 1993, Curtis Taylor, um aluno do oitavo ano, cometeu suicídio após ser vítima de bullying por três anos consecutivos.

Em 1991, outro aluno americano, chamado Jeremy Wade Delle, de 15 anos, se matou com um tiro na cabeça dentro da sala de aula, na frente dos colegas e da professora. Ele era vítima constante de atos de bullying. Seu fim trágico serviu de
inspiração para uma música do grupo Pearl Jam. Casos de assassinatos em massa, nos quais um aluno entra em uma escola, atira em vários colegas e depois se mata também têm sido freqüentemente associados ao bullying. No Rio de Janeiro, em 2011 ocorreu o crime que ficou conhecido como “massacre de Realengo”, no qual 12 crianças foram mortas por um ex-aluno vítima de bullying. O atirador se matou.

*Aramis

A. Lopes Neto. Bullying: comportamento agressivo entre estudantes. J Pediatra
(Rio J). 2005;81(5 Supl):S164-S172: Violência escolar, violência juvenil.

Fotos: depositphotos / _ella_ / Akbudak

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Juliana Garbayo

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Graduada em Medicina na Universidade Federal Fluminense (UFF). Cursou Residência Médica em Psiquiatria na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ-IPUB)


Postado em por Juliana Garbayo em Dicionário

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