Transtorno obsessivo compulsivo – TOC

O que é?

O TOC é um transtorno emocional marcado por pensamentos obsessivos e comportamentos compulsivos que geram muito sofrimento para a pessoa afetada, que pode ter sua vida muito prejudicada.

O que são obsessões?

Obsessões ou ideias obsessivas são pensamentos intrusivos (isto é, vêm à cabeça da pessoa mesmo contra a sua vontade), recorrentes (voltam o tempo todo), persistentes e desagradáveis. Estes pensamentos geram grande ansiedade no portador do TOC. Geralmente, envolvem pensamentos, ideias ou imagens de alguma desgraça acontecendo com a própria pessoa ou com alguém que ela ama.

E as compulsões, o que são?

Compulsões são comportamentos repetitivos e sem um objetivo evidente, que podem acabar assumindo a forma de um ritual (por necessidade de serem executados de uma maneira específica e em uma determinada sequência). A pessoa tenta não se engajar nesses comportamentos, mas não consegue resistir e acaba cedendo, o que traz muita vergonha, culpa e mais sofrimento

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“Mania” de contaminação é comum

Mas o que as ideias obsessivas tem a ver com os comportamentos compulsivos?

Os pensamentos obsessivos acabam levando aos comportamentos compulsivos.

Isso acontece da seguinte forma: uma pessoa tem ideias obsessivas, que invadem sua mente mesmo contra sua vontade, sobre alguma tragédia que ela tem muito medo que ocorra.

Exemplo: uma mãe pode se ver toda hora invadida pelo pensamento de que seu filho vai ficar doente e morrer. Ela luta contra essa ideia, dizendo a si mesma que não há nada que indique que a criança esteja doente ou vá sofrer um acidente, mas não adianta. Esse pensamento fica indo e voltando o tempo todo e ela não consegue tirá-lo da cabeça. Toda vez que pensa nisso, sente uma ansiedade imensa, acompanhada por muito medo e angústia. Em um determinado momento, ela tem a ideia que, se repetir para si própria uma determinada frase cinco vezes seguidas, essa tragédia não vai acontecer. Então, ela passa a repetir mentalmente a mesma frase cinco vezes seguidas o dia todo. Se é interrompida por alguma coisa (um telefone que toca, por exemplo), sua ansiedade vai lá no teto, e ela tem a forte impressão de que seu filho vai adoecer e morrer porque seu ritual foi interrompido. E começa novamente a repetição das frases, da estaca zero.

Mas em que repetir uma frase impediria alguém de morrer?

Em nada. E a mulher do nosso exemplo sabe muito bem disso. Assim como ela, os portadores de TOC sabem, racionalmente, que não há nenhuma lógica no que estão fazendo. Mas, ao invés de isso os acalmar e os deixar longe da compulsão, só gera ainda mais angústia porque ele sabe que o que está fazendo não tem sentido, mas não consegue deixar de fazer. Pode até sentir muita vergonha de que alguém descubra o que está acontecendo e, por isso, esconde o drama que está vivendo.

Este exemplo foi apenas para ilustrar como as obsessões geram as compulsões. Existem muitos outros exemplos, como:

  • Pensamentos de que vai ser contaminado com um germe ou bactéria, levando a pessoa a lavar as mãos diversas vezes por dia, de forma ritualística, ou a demorar horas no banho diariamente;
  • Pensamentos de que não desligou o gás e todos na casa vão morrer asfixiados ou, pior, a casa vai explodir, levando a pessoa a verificar incontáveis vezes por dia se realmente desligou os botões do fogão;
  • Pensamentos de que deixou a porta destrancada e um ladrão vai entrar e matar todos na casa: a pessoa verifica várias vezes se realmente trancou a porta – pode até se levantar no meio da noite para checar a porta, mesmo já tendo feito isso várias vezes antes de deitar e sabendo que a porta está trancada;
  • Vários tipos de pensamentos trágicos levando a atos que não tem relação com a ideia obsessiva, como: contar objetos, repetir a mesma frase várias vezes em voz alta ou só para si mesmo, “cismar” que tem que andar seguindo um determinado caminho e pisar apenas em alguns lugares específicos; passar a mão repetidas vezes em um objeto, dar “pulinhos”…enfim, praticamente qualquer ação pode virar um ritual, passando a ser repetida um número específico de vezes.
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Vergonha e tristeza são comuns no TOC

Pessoas perfeccionistas demais que demoram horas para completar qualquer tarefa podem ter TOC?

Sim. Algumas vezes, o TOC se manifesta sob a forma de uma lentidão excessiva conhecida como lentidão obsessiva primária. Neste caso, há uma necessidade de extrema simetria e perfeição em tudo o que se faz, levando à perda de muito tempo em cada atividade e a uma grande dificuldade em finalizar tarefas: a vida escolar ou laborativa pode se tornar impraticável. 

Isso não é frescura? Por que a pessoa não se controla?

O TOC é um transtorno muito difícil para quem o tem, não é frescura e, se a pessoa conseguisse controlar o comportamento, ela o faria. Muitas pessoas têm suas vidas destruídas por este transtorno: os rituais vão se tornando mais e mais complexos impedindo a pessoa de falar ao telefone, ter conversas “normais”, percorrer um determinado caminho, escolher produtos no supermercado, comer determinado alimento ou grupos de alimentos, sair de casa sem se atrasar por causa de banhos de horas e horas… O TOC é muito sério e precisa de tratamento psiquiátrico. Quanto mais cedo este tratamento começar, maiores as chances de melhora.

O TOC pode acontecer junto com outros transtornos?

Pode e frequentemente ocorre. Cerca de 75% das pessoas que sofrem de TOC vão ter depressão em algum momento de suas vidas. Também é comum sofrerem outros transtornos de ansiedade, fobia social, fobias específicas e transtornos de personalidade. Particularmente, há um transtorno de personalidade, chamado anancástico, que parece ser um “pré-TOC”, ou seja,são pessoas com um jeito de ser muito perfeccionista, detalhista e que sofrem com dúvidas e pensamentos obsessivos sem chegar a atingir a gravidade suficiente para um diagnóstico de TOC. Leia aqui sobre este transtorno de personalidade.

Será que estou ficando maluco?

Algumas pessoas com TOC podem achar que estão enlouquecendo e que ninguém vai entender o que elas estão passando. Podem sentir uma vergonha muito grande de contar o que estão vivendo. Se este é o seu caso, saiba que o psiquiatra é o melhor profissional para ajuda-lo; ele já viu muitos casos semelhantes ao seu e sabe como ajuda-lo. Para marcar uma consulta, clique aqui.

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Juliana Garbayo

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Graduada em Medicina na Universidade Federal Fluminense (UFF). Cursou Residência Médica em Psiquiatria na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ-IPUB)


Postado em por Juliana Garbayo em Tema

2 Respostas para Transtorno obsessivo compulsivo – TOC

  1. Neves marina cabral cunha

    Boa tarde. Meu filho começou com essas manias e chorando muito aos 16 anos. Levamos no centro de reabilitação. E os médicos diaguinosticarão Escrisofrenia. Desde então já mudou de medicamento várias vezes. Hoje com 24 anos ele está usando clozapina. Mas só vem piorando o último eletro que ele fez diz ser um célebro de uma criança de 03 anos. Por favor me ajudem!!

  2. Juliana Garbayo

    Boa tarde! A esquizofrenia é um transtorno crônico, e embora em geral não se consiga a cura completa, existe tratamento eficaz! Com o tratamento adequado a pessoa pode ter uma vida perfeitamente feliz. A clozapina em geral é reservada para casos refratários, que não responderam bem a outros medicamentos, exatamente como parece ter sido o caso do seu filho, já que você disse que os remédios foram trocados várias vezes. Procure se informar o máximo possível sobre o diagnóstico dele e sobre o que você pode fazer para ajudá-lo. Nunca altere a medicação sem orientação do psiquiatra dele e leve-o a todas as consultas, ok? Abraço!

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