Tudo sobre o Luto

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O que é o luto?

 

O luto é a reação à perda de um laço afetivo importante para nós.

Não há como passar pela vida sem estabelecer relações com os demais. Começamos nos relacionando com nossos pais, depois com outros familiares (tios, avós, irmãos). Por fim, aumentamos nossas relações: amigos, namorados, marido, filhos. Todas essas relações são importantes na nossa vida e não queremos perde-las.

Mas, às vezes, acontece de a vida vir e cortar um desses laços tão significativos e importantes. Isso pode acontecer por divórcios,viagens, mudanças…mas, de todos os cortes, a morte costuma ser o mais temido de todos, porque é irreparável.  A morte pode acontecer por uma doença lenta, ou, ao contrário, pode vir de forma rápida e imprevista: um acidente, um suicídio. Seja qual for a maneira como ela se apresenta, causará uma dor imensa. Essa dor pode ser devastadora, dilacerante….a ponto de fazer a pessoa sentir que não vai suportá-la e que não vai sobreviver a essa perda.

Veja o que Colin Murray Parkes, psiquiatra britânico que se dedicou ao estudo do Luto, disse a este respeito:

“O luto se assemelha a uma ferida física. Assim como no caso do machucado, o “ferimento” aos poucos se cura. Ocasionalmente, no entanto, podem ocorrer complicações: a cura é mais lenta ou um outro ferimento se abre naquele que estava quase curado. Nestes casos, surgem condições anormais, que podem ser ainda mais complicados com o aparecimento de outros tipos de doenças. Muitas vezes, parece que o resultado será fatal.”

A perda de papéis que acompanha o luto

 

Quase sempre, como se não bastasse a morte da pessoa que amamos, junto com ela se vai também o papel que desempenhamos na vida. Uma mãe que perde o filho perde também sua função materna, suas expectativas para o futuro, todos os sonhos que projetou naquele filho tão amado e idealizado. Uma mulher que perde o marido perde o companheiro da sua vida, a base forte que a ajudava nas coisas corriqueiras do dia e que a apoiava nos momentos difíceis da vida. O filho que perde um dos pais perde sua posição de filho, perde seu cuidador, seu protetor….

Como se colocar de novo na vida, quando esse papel tão importante foi roubado de nós? A dor é forte demais!

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Se você ou alguém que você ama está passando por esta dor, saiba que, por mais difícil que seja acreditar nisso agora, ela vai se tornar suportável com o tempo. Realmente, se quem você perdeu era muito importante na sua vida, as coisas provavelmente não voltarão a ser como eram nem você voltará a ser exatamente como era antes. Mas, daqui a algum tempo, mesmo diferente, o mundo não será tão doloroso como ainda é agora. Seus amigos e familiares podem te ajudar a passar por este momento e, se você achar necessário, há profissionais que também podem te auxiliar e amparar nesta caminhada. Não hesite em buscar ajuda!

Será que algum dia essa dor vai passar?

A perda é para sempre. A saudade também. Mas a dor não. Essa dor insuportável vai passar. Você vai se sentir melhor. Pode até ser que a dor não passe totalmente, mas ela vai se tornar suportável. Vai diminuir a um ponto que nos deixe respirar novamente. A ponto de não te paralisar mais e não te impedir de vi ver. Thomas Attig, um pesquisador do luto,  coloca que no início do processo do luto a dor é tão avassaladora que toma e pessoa por inteiro, isto é: ela é a dor. Com o tempo e com os recursos internos, o enlutado deixa de ser a dor e começa a  ter a dor.

Quais são as fases do luto?

Primeira fase: Entorpecimento, choque, negação

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O entorpecimento pode durar até três meses

A pessoa não acredita que aquilo aconteceu. A sensação é de que “não caiu a ficha”. O “objetivo” desta fase é fugir da dor e continuar vivendo como antes. Colocamos objetivo entre aspas porque é claro que este objetivo não é consciente. Quando falamos em objetivo, estamos falando do objetivo do aparelho psíquico da pessoa, ou seja, essa negação inicial é uma espécie de defesa do enlutado para conseguir continuar vivendo após uma dor que, se tivesse que ser totalmente encarada de frente neste primeiro momento, poderia causar um sofrimento extremo demais. Enquanto a pessoa tenta entender o que aconteceu e “fazer a ficha cair”, é normal ter pensamentos repetitivos sobre a morte, querer investigar o que aconteceu, falar sem parar sobre como tudo se passou. Alguns estudos indicam que pode levar até três meses até que “caia totalmente a ficha” de que uma pessoa muito querida realmente se foi para sempre. As pessoas ao redor do enlutado não costumam ter paciência suficiente para atravessar esta fase, e podem começar a “cortar” a fala do enlutado com frases como: “chega de falar sobre isso”, “não adianta ficar remoendo as circunstâncias da morte”, “já falamos sobre isso mil vezes, porque você fica se torturando?” . É preciso entender que falar sobre o assunto, várias e várias vezes, ajuda a reconhecer que a perda aconteceu realmente. A terapia do luto fornece um espaço onde a morte poderá ser revisitada quantas vezes for preciso, sem impaciência ou recriminações.

Segunda fase: Raiva e anseio

Ao sair da fase de entorpecimento e negação, vem a fase da raiva. A pessoa fica inquieta e chora muito. É comum que faça promessas para recuperar a pessoa perdida, e pode chamar até chamar pelo morto. Ter a sensação de que a pessoa falecida está perto e achar que a viu passar pela casa ou até na rua de relance são outras formas de vivenciar esta fase caracterizada pela procura do morto e pelo protesto pela perda sofrida. O “objetivo” do organismo, com o mesmo sentido de “objetivo” explicado acima, é recuperar a pessoa perdida.

Terceira fase: Desespero

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O desespero vem em ondas, em crises de dor aguda que, com o tempo, se tornam mais espaçadas

Nesta fase, vem a percepção de que a perda é real e imutável. O enlutado “se convence” de que, não importa o que ele faça, o quanto chore e o quanto peça, a pessoa querida não vai voltar. Tristeza profunda, depressão, isolamento e choro constante são comuns.

Quarta fase: Recuperação

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Fases de depressão e tristeza começam a se alternar com outras de investir na vida e nas tarefas do cotidiano que têm que ser feitas: o supermercado, a ida à manicure, a reunião de pais, o trabalho. A culpa é muito comum nesta fase: já posso fazer as unhas? Já posso escutar música no carro? Sair com amigos para um drink? Estas dúvidas são normais, e vão se resolver com o tempo. É importante que o enlutado se engaje nas atividades que lhe davam prazer: isso não é uma traição com a pessoa morta, e sim uma maneira de você encontrar um pouco de energia para os próximos momentos difíceis.

Se você está vivendo a dor do luto, podem estar acontecendo coisas tão incomuns que você se pergunta se está ficando louco. Sentimentos e vivências muito distintas são comuns no luto e, em geral, não indicam que nada esteja errado com você.

                       O que é normal sentir no luto?

Na área cognitiva: Negação, confusão, desorganização, desorientação, dificuldade de pensar e se concentrar, pensamentos obsessivos, sensação da presença da pessoa

Área emocional: choque, entorpecimento, choro, tristeza, culpa, raiva, saudades, desamparo, ansiedade, medo, irritabilidade, alívio

Área física: mudanças no sono e apetite, exaustão, coração disparado, falta de ar, dores, mesmos sintomas da doença do morto

Área espiritual: sonhos com a pessoa, perda da fé, aumento da fé, raiva de Deus, questionamentos de valores

Área social: isolamento, dificuldade de relacionamento, sensação de que ninguém compreende como se sente, de não fazer parte do mundo

Área comportamental: hiperatividade, aumento do uso de drogas e álcool, comportamento “aéreo”, evitação de coisas que lembrem a pessoa, chamar e procurar pelo morto

Remédios podem ajudar?

Há situações nas quais pode ser útil a ajuda de remédios para que a pessoa consiga dormir melhor, lidar com crises de pânico ou ansiedade e até sair de uma depressão, caso ela aconteça. Cada situação será avaliada individualmente. Se no seu caso for necessário o uso de algum tipo de medicamento, este será prescrito a você. Essa é uma das vantagens de fazer o acompanhamento do luto com um psiquiatra. O psiquiatra pode prescrever estas medicações quando houver necessidade, ao contrário de outros profissionais da saúde, como terapeutas e psicólogos.

 Todo mundo precisa de terapia após perder alguém querido?

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Não, nem todo mundo precisa de terapia. Muitas pessoas ficarão bem com o passar do tempo e conseguirão passar por todo o processo do luto sem ajuda profissional. Mesmo essas pessoas, porém, podem se beneficiar de um aconselhamento no luto.

O que é o aconselhamento no luto?

É um número limitado de atendimentos, previamente combinados entre o psiquiatra treinado em manejo de luto e o enlutado. Após perdermos alguém que amamos, são comuns os sentimentos listados acima, como choque, descrença, negação de que a pessoa se foi, profunda apatia, desânimo, tristeza, desesperança, ansiedade, insônia, pesadelos, pensamentos sobre o morto que ocupam o dia inteiro e não deixam a pessoa pensar em mais nada, falta de concentração, queda no rendimento escolar ou no trabalho, raiva, culpa e medo. Outro sentimento comum é o alívio, especialmente quando a pessoa morreu após uma doença longa que gerou muito sofrimento para o próprio doente e para o seu cuidador. Nesse caso, aqueles que cuidaram do morto podem sentir alívio quando este finalmente morre. E podem se sentir extremamente culpados e envergonhados com esse sentimento de alívio. Pode ser muito difícil expressar esses sentimentos, seja por medo de chocar outras pessoas, seja para poupar outros familiares, ou, simplesmente, por vergonha, medo de ser mal interpretado ou de cansar as demais pessoas. Há uma cobrança da sociedade para que as pessoas se recuperem rápido e no luto isso pode demorar muito tempo para acontecer. O aconselhamento fornecerá um espaço onde todos esses sentimentos poderão ser expressos e trabalhados, por quanto tempo e quantas vezes for necessário. Muitas vezes, o enlutado tem muitas dúvidas práticas e fica confuso com conselhos divergentes que amigos e parentes dão. O que fazer com os pertences do morto? Devo desfazer o quarto dele? O que faço com as roupas? Com as fotos? E a aliança? Posso continuar usando? O que contar para as crianças? As crianças e os idosos devem ir ao funeral? Ao velório? Ao enterro? Todas essas questões poderão também ser trabalhadas no aconselhamento no luto.

Questões que são trabalhadas na terapia do luto:

Questões relacionadas ao adoecimento e à morte ou possibilidade de morte podem ser trabalhadas na terapia do luto. As seguintes dúvidas são bastante comuns:

Como contar para uma criança que um familiar está gravemente doente?

Devemos contar tudo às crianças ou é melhor esconder para “poupá-las” do sofrimento?

Posso chorar na frente dos meus filhos? O que fazer com as coisas do morto? O que contar para crianças e idosos? Eles devem ir ao enterro?

O que fazer nas datas comemorativas (aniversários, aniversário de casamento, dia das mães, dia dos pais, Natal, Reveillón) ?

Todas estas dúvidas e muitas outras podem ser abordadas na terapia do luto, em um ambiente no qual o acolhimento, a aceitação e o absoluto sigilo estão garantidos.

Se você ou alguém que você ama está passando por uma crise relacionada ao luto, marque sua consulta com Dra Juliana Garbayo nos telefones: (21) 99780-4339, (21) 98880-4339 , (21)32280656.

A seguir, preparamos alguns tópicos que podem te ajudar.

Se você perdeu seu companheiro(a)

Se você perdeu um filho

Se você perdeu um irmão ou irmã

Se você perdeu seu pai ou sua mãe

Se você está tentando ajudar uma criança que perdeu alguém

Se você perdeu um amigo querido, um bebê que ainda não tinha nascido, um animalzinho de estimação, um tio, avô ou outro parente

Se quem você amava se suicidou

Se você quer ajudar alguém que está passando pelo luto

Orientação e atendimento em terapia do luto para: Adultos - Casais - Famílias - Crianças - Adolescentes: entre em contato clicando aqui

“O processo do luto pode ser visto como uma atividade criativa: um gradual colocar de peças de um quebra-cabeças que, ao final, nos terão permitido encontrar uma imagem e um lugar em nossas vidas para as pessoas que amamos mas perdemos.”

                                                                 (Colin Parkes)

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Juliana Garbayo

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Graduada em Medicina na Universidade Federal Fluminense (UFF). Cursou Residência Médica em Psiquiatria na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ-IPUB)


Postado em por Juliana Garbayo em Tema

2 Respostas para Tudo sobre o Luto

  1. Maria

    boa noite
    perdi meu bebê saque no parto,era uma gravidez de alto risco, foi acompanhada pela equipe de Dr, Antonio Fernandes Morom, no hospital são Paulo. Uma equipe maravilhosa, mas Deus teve outros planos pro Isaque e pra nós. O problema é já 2 anos e eu ainda estou sentindo a mesma dor. Agora dia 26 de março de 14, vamos fazer a exumação, parece que ele acabou de falecer, meus cabelos caem da raiz. Tomo medicações pra dormir Diazepam 2 mg e imipra, mesmo assim não durmo direito, principalmente agora que faltam 12 dias.como não pude ir ao enterro sinto como se fosse enterra-lo pela 1° vez, sei que vai ser muito pior perdi minha alegria, só estou viva por meu amigo jesus que sempre está comigo, pelo meu querido esposo, que me sinto culpada por não trata-lo como ele merece, pois agora com endometriose. Sinto muitas dores físicas e na minha alma.
    Obrigada por mim ouvirem.
    Se puderem me ajudar meu n° é (editado)
    Grata, que Deus abençoe vocês.

  2. Juliana Garbayo

    Olá, Maria! Removi seu sobrenome e seu celular da mensagem para preservar sua identidade, ok?
    Realmente a perda de um filho é um dos eventos mais difíceis pelos quais uma pessoa pode passar. Perder o bebê no nascimento é extremamente traumático para a mulher…tudo o que você tinha sonhado, o quarto montado, as roupinhas…é muito doloroso mesmo. Para piorar, algumas pessoas não entendem a dor da mãe que perdeu um recém-nascido porque acham, erroneamente, que é uma perda “menor”, já que não houve muita convivência com o bebê. Felizmente, me parece que seu marido te dá bastante suporte emocional, não é? Que bom também que você tem uma religião que te conforta para te ajudar neste momento tão difícil. É completamente normal reviver o luto neste momento em que você vai ter que exumar o corpo do bebê! Não ter podido ir ao enterro é um fator que complica as coisas, porque o ritual do enterro ajuda muito na elaboração do luto…você não viveu este momento, mas vai poder vivê-lo agora. Você diz que é como se estivesse enterrando ele pela primeira vez, mas, veja bem, para você, vai ser mesmo a primeira vez….Querida, desejo muita força a você, se apoie nas pessoas que te cercam, não se culpe por estar deprimida e “não tratar seu marido como ele merece” – ao invés disso, converse com ele! Pelo que você escreve, ele parece ser seu parceiro: converse bastante com ele, pois pode ser que esteja muito difícil para ele também. Vocês só tem a ganhar se um puder contar com o outro. Acho que uma terapia do Luto seria muito útil para você. Se quiser, ligue para o meu celular para conversarmos a respeito (98880-4339). Um beijo.

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